19 de agosto de 2018

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O Jogo

O básico sobre rotas

Pelo menos por experiência própria, todos que começam a jogam acabam tentando primeiramente como wide receiver. Óbvio que quem tem um físico avantajado, seja pras linhas ou linebacker/tight end, ignora essa fase. Por um motivo simples, na teoria, é uma das posições mais fáceis que tem no jogo. Você tem uma função, corre uma rota determinada na jogada ou bloqueia pra corrida. O atleta não precisa ter um mini computador na cabeça como um QB ou identificar seus alvos e até ter que reagir conforme os movimentos da defesa como um OL. Entretanto, além do físico logicamente, o ponto diferencial entre um bom WR e um excelente é o conhecimento de jogo. Óbvio que em todas posições isso é fundamental, todavia como esta não requer tantas funções como em outras, faz com que seja importante entender a arte de ser um route runner, corredor de rotas em inglês.

Route tree ou a árvore de rotas

 

Semelhante a uma árvore que crescera em Chernobyl, a route tree é a maneira didática e simples de explicar os nomes das routas e as direções das mesmas. Além das presentes na imagem acima, existem mais algumas que não necessitam estar presentes aqui, por ora. Para facilitar a gravação de cada uma, normalmente, é utilizado a numeração para cada uma delas. Alguns sistemas ofensivos explicam, pra otimizar, que rotas ímpares vão pra fora e pares para dentro e em sistema crescente. Ou seja a 0 seria um hitch e 9 uma fly/streak, só que isso varia muito, inclusive que na numeração apenas as mais comuns estão presentes. Caso necessário, na chamada da jogada ou seja lá como for feito pelo coordenador ofensivo, rotas mais complexas são facilmente incorporadas nas jogadas.

Variando as rotas conforme a defesa

As rotas podem ser modificadas conforme o que a defesa alinhar em campo, um bom QB reconhecerá isso e pode explorar caso eles mantenham este alinhamento. Por exemplo, a defesa continua deixando seus cornerbacks marcando em off, ou seja, a mais ou menos 5 a 8 jardas atrás da linha do scrimmage. Ou se a defesa jogar muito em bump and run, que é o CB alinhado “colado” ao recebedor, no momento do snap ele dá um empurrão para atrasá-lo e continua, ou não, marcando ele. O quarterback, necessariamente não necessita mudar a jogada inteira, só adaptá-la conforme a necessidade. Porém, isso pode ser uma armadilha de uma boa defesa, mostrar um tipo de cobertura e executar outro, devido a isso deve ser utilizado com precaução e não apenas adaptar a jogada e lançar o petardo pro wide pegar. Aqui vai um exemplo de jogada diante de uma defesa que marcavam em off e aparentava Cover 3 ou Cover 2 homem com sugestões de rotas.

Sug1

Sug2

Sempre venda fly

Não importa se você irá fazer uma hitch em 5 jardas, saia como se fosse ir numa fly, sempre. Passos largos, olhando pra frente, nunca olhando pro chão ou antes do snap pra direção que for fazer a rota. A não ser que você seja adepto de jogos mentais, mas aí requer muita habilidade e compostura, o que volta no que disse acima, conhecimento de jogo. Uma dica, tente ter o defensor próximo antes de fazer a quebrada chave da rota, isso pode fazer com que ele ache que a situação está contida, só que não está. Usar a cabeça finjindo que poderia receber o passe é uma ideia interessante também, porém recomendada apenas em passes longos.

Ah, é corrida

Muitos receivers têm o hábito de irem devagar ou quase nem estão aí quando uma corrida é chamada. Muito pelo contrário, times de sucesso como o Houston Texans atual e o Denver Broncos da era Shanahan exigiam que todos os jogadores em campo soubessem como a jogada deveria ocorrer, tanto quanto todos eram obrigados a bloquear devidamente seus alvos. Você não precisa jogar seu adversário no chão, mas atrasá-lo o máximo possível de forma limpa é o ideal. Se a jogada for do seu lado e você conseguiu tirar o seu cara da jogada, prossiga e ache um potencial adversário que possa parar a corrida, mesmo que você o atrase por milésimos de segundos já fazes a diferença. Nessa jogada que o Seahawks, que tinha um recorde fraco de 7-9 e mesmo assim se classificou para os playoffs, bateu o atual campeão na época Saints com uma jogada em que os jogadores ofensivos mostraram comprometimento com a equipe. Detalhe para um OG e WR, Polumbus e Williams, liderando a corrida e até o QB Matt Hasselbeck, com uma lesão na mão, foi lá pra ajudar.

Onde está a linha lateral?

Outro ponto chave que pode transformar uma quarta descida em primeira, uma derrota em vitória. Aprenda a usar sua visão periférica pra se situar em campo, caso perceba que está perto da lateral tente dar passos curtíssimos após receber a bola. Isso só é aperfeiçoado com muito treino, mesmo. Como o futebol americano é um jogo de detalhes e, sim, eles fazem a diferença, eis mais um importantíssimo.

Recebeu, pegou e guardou

Muitos drops e fumbles acontecem devido ao fato de o recebedor/tight end/running back ao receber o passe, não terminam o processo descrito no título pois já estão querendo correr, nesse meio tempo “esquecem” da bola, o que pode acarretar em passes incompletos e takeaways para a defesa adversária. É mais um detalhezinho que faz a diferença, que é ensinado logo nos primeiros treinos mas que até na NFL é negligenciado. Ao receber o passe o WR tem que “guardar” a bola na maneira certa ensinada e só depois disso focar na corrida. Imagine isso, você recebe um passe de 10 jardas, já conseguiu o 1st down, só que tira os olhos da bola já pensando em correr e acabado “droppando” ela. Esse último aspecto é fundamental, sempre se deve olhar para a bola até que você faça o que fora supracitado. Sempre.

Simples? Nem tanto

Pois é, com todos esses aspectos o que pode parecer uma posição simples, só ir e correr a rota, na verdade está longe disso. São os pequenos detalhes, presentes em todas as partes no futebol americano, que tornam um atleta um exímio route runner.


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